GRUPO V (03/05) - LINGUAGENS URBANAS DE PERTENCIMENTO
LINGUAGENS URBANAS DE PERTENCIMENTO:
O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
Rosana Aparecida Martins Santos
Docente Doutora do Departamento de
Comunicação Social do Unicentro Belas Artes de São Paulo
Doutora em Ciências da Comunicação pela
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
Resumo: Em tempos atuais o processo de globalização vem fornecendo
novas configurações identitárias levando como modelo de análise na
interpretação das relações entre o global/local. Partindo deste pressuposto, o
objetivo desse artigo situa-se em abordar a construção do rap produzido em
São Paulo, enquanto projeto artístico de resistência ao sistema hierárquico de
poder e prestígio, como componente musical integrado no fluxo global de
produtos, idéias, estilos, ou seja, enquanto linguagem cultural e consumível.
Diante disso, fica proposto reconstruir o sistema de significações simbólicas
que a mensagem produz, caracterizando pela capacidade de reflexão crítica à
ordem social, articulada pelos jovens consumidores desse gênero artístico
musical, na cidade de São Paulo, que são denominados por “manos” e por
“boys”, tentando apanhar a singularidade que há por trás desse processo.
Palavras-chave: Juventude; sociedade de consumo; conflitos sociais
Abstract: The globalization process has been providing new arrangements to
identity issues on its role as a model to interpret the relations between the
global and the local in current times. From this prospect, this project’s purpose
approaches the construction of the rap made in Brazil as an artistic project of
resistance to an hierarchical power and prestige system as well as a musical
component integrated to the global flux of products, ideas and styles, therefore,
as a cultural and marketable language. This project’s goal is an effort to
rebuild the symbolic system of meanings which is passed on by this message
to the specific public, young consumers of this artistic and musical type, in São
Paulo city, who are denomined and use to call themselves ‘manos’ and ‘boys’,
trying to highlight the uniqueness behind this process.
Key words: Youth; consumption society; social conflicts
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O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
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A construção poético-musical do rap no Brasil - como um dos principais
pilares de um movimento cultural e artístico, o hip-hop1 -, tem se esforçado na
tentativa de denunciar e buscar soluções para fatores que tendem a paralisar a
pretensão de progresso neste país tais como, a pobreza, a violência urbana, a
violência policial, a discriminação racial, o resgate da auto-estima dos afrobrasileiros,
as altas taxas de desemprego, de desigualdade na distribuição da
renda e no uso das drogas, a falência da rede educacional, chacinas, dentre
outros (Andrade, 1999). É nessa visão opressiva que o Rap Nacional vem
retratando a realidade social numa luta pela consolidação das bases
democráticas.
Numa escala global o rap vem se assentando num discurso (lírico e
musical) afirmativo, reflexivo e narrativo da representação de si próprio, das
suas experiências e das suas convicções. Isto o torna uma fórmula acessível
de prática intensiva da identidade. Encarado como um dos elementos das
estratégias culturais da autodefinição e automanutenção, um tipo de
subsistência ideológico-identitária sobre a relação que um indivíduo
estabelece com o mundo ou, melhor, o modo de existir no mundo.
Percebe-se que no Brasil a desigualdade social se dá não apenas pela
péssima distribuição de renda do país, mas também pela distribuição desigual
de conhecimentos sobre os direitos do cidadão e de acesso à Justiça. A rigor,
as diferenças sociais acabam sendo traduzidas, ora na figura do subalterno
que tem como dever a sua obediência cega, ora no papel do inferior aquele
merecedor da tutela, da proteção, mas jamais dos direitos.
Como seria de se esperar, os habitantes dos espaços empobrecidos das
grandes metrópoles brasileiras são tidos como marginais, ou seja, tudo aquilo
que a sociedade considera como impróprio (Caldeira, 2000). O nãoreconhecimento
do outro como sujeito de interesses e aspirações representa
nada mais do que uma forma de sociabilidade que por hora não se completa,
porque regida por uma lógica de anulação do outro como identidade.
1 De acordo com a cientista social Rosana A. Martins Santos (2002), o termo hip-hop na
verdade designa um conjunto cultural vasto que deriva daí seus quatro elementos
artísticos: MC, master of ceremony, mestre de cerimônia ou rapper, a pessoa que leva a
mensagem poética-lírica à multidão, que acresce às técnicas do freestyling, o livre
improviso e o beat-box, que são sons reproduzidos pelas próprias cordas vocais dos
rappers cuja característica de percussão guarda semelhança de efeito com um toca-discos
ao acompanhar o MC; o DJ, disc-jóquei, aquele que coloca a música para dançar; a dança
break, para aqueles que se expressam por meio de movimentos da dança; o grafite, as
artes plásticas e a arte visual no hip-hop. Ver também: Brake, Michael. 1985. Comparative
youth culture: the sociology of youth cultures and youth subcultures in America, Britain, and
Canada; Rose, Tricia. 1994. Black Noise. Rap music and black culture in contemporany
america.
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O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
3 Anais do V Congresso Latinoamericano da
Associação Internacional para o Estudo da Música Popular
Como lógica social, “o sistema” apresenta-se simultaneamente como
moralidade (um sistema de valores ideológicos) e um sistema de comunicação.
Pode-se dizer que a mercantilização estandardizada da vida cotidiana constitui
hoje um dos principais cânones de localização do próprio indivíduo no
processo social, à medida que o consumo é visto como sinônimo de “real”
existência e a identidade passa, então, a ser formada e transformada
continuamente pelos sistemas culturais mundializados que nos rodeiam,
fazendo surgir novas identidades.
Nesse contexto, segundo o sociólogo polonês Zigmunt Bauman (1998),
no mercado são colocados à disposição juntos diferenciados elementos da
“identidade do eu” numa ampla gama de identidades que podem ser usados
diferentemente, isto é, que produzem resultados diferentes uns dos outros e
que são assim personalizados, feitos sob medida para melhor atender às
exigências da individualidade como parte de um estilo de vida especial, de
modo que o consumidor em perspectiva possa conscientemente adquirir
símbolos da auto-identidade que gostaria de possuir.
Nesse âmbito, o Rap Nacional produzido em São Paulo procura a seu
modo desafiar a fragmentação deixada pelo establishment, não obstante,
circunscrevendo uma forma de autoconhecimento e (re)ação dos jovens da
periferia capital paulistana aos processos massificadores que atingem o
mundo contemporâneo, no qual cada um é apenas aquilo que qualquer outro
pode substituir.
É dessa maneira, portanto, que o Rap Nacional reafirma visões de
mundo, posições engajadas dentro das quais os indivíduos desenvolvem a
publicidade de sua ação social expressando e questionando os valores
instituídos socialmente numa leitura crítica com base na reversibilidade do
modo de ser desta sociedade.
Na narrativa do Rap Nacional, podemos encontrar um espaço dividido a
partir de duas construções identitárias: o mundo do mano e o mundo do boy,
permeado por códigos morais em referência ao social.
H. Aço
Ser Homem de Aço é resistir
Não posso dar as costas se o problema mora aqui
Não vou fugir
Nem fingir que não vi
Nem me distrair
Nenhum playboy paga pau vai rir de mim
Tenho uma meta a seguir
Sou fruto daqui
Se for pra somar
Hei mano chega aí
(...)
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O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
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(DMN. CD. H. Aço. 1998. Cia. Paulista de Hip-
Hop)
Hey Boy
Tiravam tudo de mim
Arrancavam minha pele
Minha vida enfim
Tenho que me desdobrar
Pra não puxarem meu tapete
E estar sempre quente
Pra não ser surpreendido de repente
Se eu vacilo trocam minha vaga
O que você fizer
Aqui mesmo você paga
(...)
Você faz parte daqueles que colaboram
Para que a vida de muitas pessoas
Seja tão ruim
(...)
Seu egoísmo ambição e desprezo
Serão os argumentos pra matar você mesmo
Então eu digo Hey boy...
(...)
(Racionais MC’S. LP. Raio X Brasil. 1993. Zambia)
Nas duas letras temos exemplos de personagens pertencentes do mundo
paralelo marcado pelos efeitos da violência urbana cujo território, o lugar onde
se mora, emerge na valorização da própria identidade, do caráter, da
dignidade que ainda resiste diante da invisibilidade do mundo. Na verdade,
ocorre duas maneiras de empregar a dicotomia boy e mano: uma consiste em
usar as palavras rico e pobre e sua oposição; a outra, em agregar adjetivos,
advérbios, de modo a estabelecer diferenças. De um modo geral, temos aqui:
Ø manos (geralmente são negros e pobres)
São molestados constantemente pela polícia; sentem-se subordinados,
desprezados; são discriminados pela forma como se vestem; são vistos
como favelados e, por conseqüência, criminosos; são humildes; não são
individualistas; são simples; espertos; valentes; são solidários; são
companheiros.
Ø playboys (geralmente são considerados como sendo ricos e
brancos)
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O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
5 Anais do V Congresso Latinoamericano da
Associação Internacional para o Estudo da Música Popular
Geralmente são tratados, na narrativa do rap, por diminutivos no sentido
pejorativo; são vistos como covardes e arrogantes; são aqueles que
ostentam futilidades; são alienados do mundo que os cercam; são
indiferentes; não são incomodados pela polícia; acham que podem tudo;
possuem carros importados; não trabalham; acham-se superiores, melhores
que os outros; individualistas; medrosos; não são solidários, nem
companheiros; orgulhosos; podem consumir tudo o querem; desconhecem
as dificuldades da pobreza; tem poder; protegido pela
sociedade/impunidade; tem facilmente tudo na vida.
Aqui as comunidades imaginadas de manos e boys enquanto existência
individual e social de configurações múltiplas representa os novos
agrupamentos inseridos numa multiplicidade de espaços e tempos prestes a
desdobrar na quebra da sua uniformização. Em todo o caso, os objetos
simbólicos como a música rap, por exemplo, pode servir nesses grupos como
mecanismos através dos quais a identidade passa a ser definida.
Na verdade, a noção de estilo de vida conota uma forma de autoexpressão
e uma consciência de si estilizada, a tendência no qual o indivíduo
reage ao nivelamento social (Featherstone, 1995). O Rap Nacional além de
marcar sua importância na contestação voltada à problemática urbana sugere
um novo espaço de reflexão e denúncia reivindicando para si espaços de
sociabilidades nos quais os indivíduos, impulsionados por interesses diversos
se soldam numa unidade distintiva dentro do corpo social.
A definição desses sujeitos se dá mais por aquilo que se diz deles na
narrativa do rap, ocorrendo a partir daí um conjunto de controle do próprio
discurso. E é por adotar os valores dos boys que o mano aos poucos perde o
controle da sua própria definição de identidade, o abandono das origens e do
projeto histórico de política cultural. A sociedade é assim considerada como
violenta, desigual e injusta. A idéia de uma realidade é construída pela
experiência cotidiana e o tipo de conhecimento do qual a mídia é portadora é
vista como pouco confiável. Ao mesmo tempo em que os rappers atacam a
mídia – nas músicas, nos discursos durante os shows e no dia a dia - eles
precisam dela como canal de divulgação de sua arte e de suas idéias (Santos,
2002).
O rap tenta retratar uma realidade particular tal de onde estão os rappers
paulistanos, de acordo com o contexto sócio-espacial em que se vive e com a
visão de mundo que se tem. A autenticidade refere ao “real” Rap Nacional
aquele cuja construção musical é percebida como tendo uma direta conexão
com o social expressado por uma comunidade de manos.
Portanto, a importância de uma comunidade imaginada segue daí: ela
evidencia um “nós” necessário para constituição de cada ser humano
individual, processo que dá testemunho ao fato de que vidas individuais não
se formam apenas de dentro das estruturas burocráticas institucionais, mas
principalmente de fora, das arenas interacionais, dos espaços públicos de
argumentação.
Nesta perspectiva, a identidade é referência, é o ponto original
relativamente ao qual se define a diferença. A afirmação da identidade e a
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O RAP NACIONAL E AS PRÁTICAS IDENTITÁRIAS
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marcação da diferença implicam sempre, as operações de poder, de incluir e
de excluir, significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre “nós” e
“eles”. Por esse prisma, cada um dos atores enquanto espectadores
desempenham em seus trajetos cotidianos papéis que se mostram
inseparáveis do espetáculo que demarcam para si.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Andrade, Elaine Nunes de (Org.). 1999. “Hip-Hop: movimento negro juvenil”.
Rap e Educação - Rap é Educação. São Paulo: Summus, p. 83-91.
Bauman, Zygmunt. 1998. O mal estar da pós-modernidade. Tradução de
Mauro Gama, Cláudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
Brake, Michael. 1985. Comparative youth culture: the sociology of youth
cultures and youth subcultures in America, Britain, and Canada. New York:
Routledge.
Caldeira, Teresa Pires do Rio. 2000. Cidade de muros: crime, segregação e
cidadania em São Paulo. Tradução de Frank Oliveira, Henrique Monteiro.
São Paulo: Editora 34/EDUSP.
Featherstone, Mike. 1995. Cultura de consumo e pós-modernismo. Tradução
de Julio Assis Simões. São Paulo: Studio Nobel. (Série Megalopolis).
Rose, Tricia. 1994. Black Noise. Rap music and black culture in contemporany
america. Hanover, London: University Press of New England/Wesleyan
University Press.
Santos, Rosana Aparecida Martins. 2002. O estilo que ninguém segura: Mano
é Mano! Boy é Boy! Boy é Mano? Mano é Mano? Reflexão crítica sobre os
processos de sociabilidade entre o público juvenil na cidade de São Paulo na
identificação com a musicalidade do Rap Nacional. 274p. Dissertação
(Mestrado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes
de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo.
GRUPO VI - RECEPÇÃO MIDIÁTICA COMO LINGUAGEM
Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação
UNESP, Bauru, São Paulo - 6 a 9 de junho de 2006
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RECEPÇÃO MEDIÁTICA COMO LINGUAGEM DE
PERTENCIMENTO: ENTRE O COMUM E O PÚBLICO1
Uma análise crítica da bibliografia a respeito
Mauro Wilton de Sousa2
Resumo: Na perspectiva de buscar compreender as práticas de recepção mediática
como expressão do sentimento de pertencimento a espaços públicos, o presente
texto aponta preliminarmente uma análise crítica de literatura sobre comunicação
visando problematizar caminhos por onde a relação entre pertencimento e
comunicação vem sendo hoje estudada e por onde pode ser aprofundada.
Palavras-Chave: Pertencimento – Recepção Mediática – Público – Comum.
1. Introdução
O tema da Comunidade tem estado presente de forma constante na literatura
contemporânea sobre comunicação mediática. Retomado hoje segundo significações
ampliadas desde sua concepção originária nas Ciências Humanas e Sociais, sua presença não
se vincula apenas a estudos sobre comunicação e cultura, mas também sobre comunicação e
política.
Sua atualidade e diversidade se situam no contexto da modernidade capitalista marcada
pela fragmentação da experiência de vida, pelas mutações do sujeito e da identidade, pela
oscilação dos valores de referência coletiva, enfim, pelas implicações advindas do que se
denomina globalização.
É nesse contexto de uma sociedade desigual que soa intrigante e contraditório entender
vinculações crescentes entre comunicação e cultura desde a perspectiva de comunidade como
que retomando a dualidade tradicional entre comunidade e sociedade. Em contexto recente de
pesquisa sobre recepção mediática no âmbito da cultura e da política, a questão do sentimento
1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Mídia e Recepção”, do XV Encontro da Compós, na Unesp,
Bauru, SP, em junho de 2006.
2 Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – mwsousa@usp.br
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de pertencimento se mostrou igualmente presente na análise de práticas comunicacionais
derivando daí indagações sobre a característica e a pertinência de seu uso na atualidade. À
medida que temas paralelos como o da emancipação política ou da exclusão social são
também retomados é pertinente a questão de base subentendida – o que motiva o
pertencimento nesse contexto da sociedade contemporânea – em especial, quanto ao papel da
comunicação mediática.
O avanço no estudo dessas questões tem levado à perspectiva de compreensão das
práticas de recepção mediática como expressão do sentimento de pertencimento a espaços
públicos, tema específico de pesquisa acadêmica ora em desenvolvimento3. Enquanto
perspectiva esta é também uma hipótese e, por isso mesmo, é provocativa e complexa.
Embora instigante, esta perspectiva de pesquisa é exigente de cuidados ora quanto a
dificuldade de um trabalho interdisciplinar como tal, ora pelas implicações de
privilegiamento da recepção mediática diante de um contexto conceitual e teórico em
comunicação que a tem trabalhado diferentemente, ora enfim, pelas implicações teóricas e
metodológicas envolvidas.
Uma advertência de Miège (1990, p. 17-22), abre, no entanto, espaço para este estudo
ao assinalar a importância de estratégias metodológicas transversais quando são buscadas
inter-relações conceituais e teóricas sobre uma situação problema, mesmo que sem buscar
proposições de médio alcance, mas que introduzam novos ângulos através dos quais as
questões de investigação possam ser encaminhadas.
Ainda que dentro de objetivos mais amplos, o presente texto apenas se concentra na
análise crítica de bibliografia disponível sobre comunicação na contemporaneidade buscando
indicadores que possam sustentar a perspectiva de compreensão das práticas de recepção
mediática enquanto mediação entre sentimento de pertencimento a espaços públicos.
3 O presente texto se situa dentro de projeto de pesquisa sendo desenvolvido pelo Grupo de Estudos sobre
Práticas de Recepção Mediática da ECA – USP, com o apoio do CNPq, sob o tema da recepção mediática e
linguagens de pertencimento público. A colaboração do bolsista CNPq – PIBIC Ângelo Ravazi na condução do
projeto e do presente texto é aqui reconhecida e agradecida. Vide: SOUSA, M. W. Práticas de Recepção
Mediática como Práticas de Pertencimento Público. São Paulo: Revista Novos Olhares, ECA-USP, n. 03,
1999, p. 12-29; SOUSA, M. W. Recepção Mediática: linguagem de pertencimento. São Paulo: Revista
Latinoamericana de Ciências de la Comunicación, n. 02, Enero/Junio 2005, p. 11-21.
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2. O sentimento de pertencimento
A temática do sentimento de pertencimento não é originária dos estudos de
comunicação. É um conceito que se liga ao de comunidade e nele originalmente se explica,
surgindo nos estudos matrizes de antropologia e de sociologia na explicação de processos de
socialização bem como de formas de organização e funcionamento da sociedade. Em Weber
(1973, p. 140), isso é bem explícito:
Chamamos comunidade a uma relação social quando a atitude na ação social ...
inspira-se no sentimento subjetivo (afetivo ou tradicional) dos partícipes da
constituição de um todo ... Chamamos sociedade a uma relação social quando a
atitude na ação social inspira-se numa compensação de interesses por motivos
racionais (de fins ou valores) ou então numa união de interesses com idêntica
motivação...
A dimensão motivadora subjetiva é o próprio sentimento que quando vinculado à
participação em um todo se realiza enquanto pertencimento. Atente-se para a significação da
motivação subjetiva, enquanto inspiradora da ação social que se realiza na busca mesma de
um todo.
A compreensão de que o sentimento motivador está na esfera subjetiva tem em outros
autores ampliação quando se refere à possibilidade de que interesses, que para Weber estão
presentes na concepção de sociedade, possam gerar sentimento de pertencimento. É o que se
depreende, por exemplo, da afirmação de Warner, citado por Horckeimer e Adorno (1973, p.
156) em texto crítico destes sobre comunidade: “Uma pluralidade de homens com interesses,
sentimentos, comportamentos e finalidades comuns, em virtude de sua pertença ao mesmo
grupo social como estrutura constante em toda e qualquer forma de sociedade antiga ou
moderna.”
A perspectiva da ação social tem a sua expressão para Silverstone (1999) no ato de
fazer parte, de inserção, de ser membro, mas também, como conseqüência, do participar.
Saliente-se que é o vetor comum, o fim da ação social ou da participação, que na verdade se
coloca como um pólo objetivo motivador do sentimento de pertencimento ainda que ao lado
de outro pólo, o da esfera do subjetivo, como adiante será aprofundado.
Essas acepções originais vinculadas à compreensão da comunidade foram sendo
ampliadas na extensão de sua significação e se percebe hoje a pluralidade de acepções com
que vêm sendo trabalhadas: “Comunidade imaginada” (Anderson, 1989, p. 15);
“Comunidade virtual” (Silverstone, 1999, p. 07); “Comunidade de apropriação” (Orozco
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Gómez, 1996, p. 129); “Comunidade interpretativa” (Blanco, 1999, p. 14); “Comunidades
hermenêuticas” (Martin-Barbero, 1996, p. 30), entre outros, ou abordagens a respeito, por
exemplo sobre o espírito comum em comunidade e comunicação (Paiva, 1998), comunidade
e segurança (Bauman, 2003), comunidade e o estar junto social (Touraine, 1998).
O sentimento de pertencimento se amplia e se diversifica em suas significações à
medida que também se amplia o de comunidade, não se restringindo mais à oposição inicial
entre comunidade e sociedade, deslocando-se da visão inicial de um comunitarismo
organizacional e relacional para uma outra presença na sociedade onde hoje se realiza o estar
junto social.
É o que se dá na esfera da socialização política, na esfera da cidadania, na discussão
sobre as próprias condições de acesso e de uso dos direitos, os diferentes processos de
inclusão na vida social disponível:
A reivindicação (e o reconhecimento) de direitos supõe, em princípio, que os atores
sociais se sintam parte de uma sociedade política mais abrangente do que aquela
definida pelo seu pertencimento à rede de sociabilidades primárias (família, etnia,
religião, etc). No entanto, talvez esteja aí um dos nós górdios da questão da
democracia do mundo contemporâneo: o enfraquecimento da capacidade dos
sistemas democráticos de gerar sentimento de pertencimento à coletividades mais
abstratas organizadas em torno do reconhecimento de direitos (Monteiro, 1996, p.
104).
O conceito de pertencimento pode também ser visto como limitado conforme a
compreensão que dele se tem:
... a nova cidadania transcende uma referência central do conceito liberal que é
reivindicação de acesso, inclusão, membership, ‘pertencimento’ (belonging) ao
sistema político na medida em que o que está de fato em jogo é o direito de participar
efetivamente da própria definição desse sistema, o direito de definir aquilo no qual
queremos ser incluídos a invenção de uma nova sociedade (Dagnino, 1994, p. 109).
O objeto que enquanto interesse motiva o pertencer passa a ser fundamental na
caracterização da sua busca ora definida como todo, como comum, ou ainda como fim da
ação social.
3. Pertencimento e o comum - comunidade4
No âmbito dos estudos que aproximam comunicação e cultura na contemporaneidade,
Martin-Barbero e Canclini, Siverstone e Hall são indicativos, entre outros, da oportunidade
atribuída ao sentimento de pertencimento em uma pluralidade de significações: ele se liga,
4 Os itens 3 e 4, a seguir, têm referência anterior em SOUSA, M. W. 1999 e SOUSA, M. W. 2005.
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ora a questões da identidade ou do consumo, ora a expressão na esfera simbólica da
necessidade do estar junto, ou ainda a dimensão política presente nas questões da cidadania.
O tema perpassa vários textos de Martin-Barbero em pelo menos duas direções
complementares, ligadas essencialmente às questões da identidade e do consumo. Da
identidade quando reconhece que a sociedade contemporânea é fragmentada, contexto que
facilita a determinação e transformação de questões como aquelas relativas a povo e nação.
Povo vem sendo substituído por público, base de um novo espaço público à medida que há
um entrelaçamento do público com os novos modos de simbolização e representação que
abrem as redes comunicacionais e os fluxos de informação” (Martín-Barbero, 1997A, p. 91).
Por outro lado, ao reconhecer a des-espacialização das cidades indica que vêm surgindo
“reconfigurações do sentido de pertencimento e identidades cidadãs, num contexto conflitivo
entre povo-público, de uma cidade cada vez mais mediada por veículos de comunicação e de
informação donde a cidade virtual” (Martín-Barbero, 1997A, p. 92).
Esse lugar mediador atual dos diferentes media e especialmente seu lugar na busca da
identidade numa sociedade fragmentada se revela quando se percebe que:
se a televisão atrai é porque a rua expulsa, é dos medos que vivem os meios. Medos
que provêm secretamente da perda do sentimento de pertencimento em cidades nas
quais a racionalidade formal e comercial acaba com a paisagem em que se apoiava a
memória coletiva... (Martín-Barbero, 1996, p. 33).
Numa segunda direção, o sentimento de pertencimento é visto, em textos de Martín-
Barbero, como associado ao consumo, ora como “espaço de integração e comunicação de
sentidos, como modo de circulação e popularização de sentido”, ora como espaço de
objetivação de desejos: “dimensão fundamental (...) a dimensão libidinal, dimensão desejante
(...) consumir faz parte da relação desejante entre sujeitos da interpretação que nos constitui
como sujeitos” (1995, p. 62).
Os meios de comunicação se situam como mediadores desse caos e dessa
fragmentação, ou muitas vezes chegam a ser:
uma compensação nessa desarticulação, produzindo no imaginário das pessoas certas
articulações (...) estão compensando as novas formas de solidão, os novos
isolamentos, através da diferenciação, as convocações tribais que estimulam a
configuração de audiência e de públicos (Martín-Barbero, 1995B, p. 152).
A noção de pertencimento através dos media na busca de uma identidade acaba sendo a
configuração dada por Martín-Barbero ao termo, numa conotação mais para o social do que
para o político. Embora essa noção de identidade exija ser melhor detalhada, observe-se que
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sua dimensão política, caminho através do qual se introduz a temática da cidadania, é chave
nos estudos de Canclini, já pela análise cultural do significado do consumo na vida
contemporânea.
É o que se observa quando ele diz:
ser cidadão não tem a ver com os direitos reconhecidos pelos aparelhos estatais para
os que nasceram em um território, mas também com as práticas sociais e culturais
que dão sentido ao pertencimento e fazem com que se sintam diferentes os que
possuem uma mesma língua, formas semelhantes de organização e satisfação de suas
necessidades (Canclini, 1995, p. 22).
Assume-se que a cidadania não se refere apenas à satisfação dos direitos que levam à
igualdade mas também daqueles que se reportam à diferença como componentes também da
democracia. A questão envolve o debate sobre as ciladas que a questão da diferença pode
assumir quando tomada como discriminação, o que leva à sua denúncia, e seu lugar
transformador, ou então como justificativa conservadora de se buscar a sua manutenção pelo
próprio direito de igualdade (Dagnino, 1994, p. 13 e Pierucci, 1999). Essa direção de
percepção da cidadania, de forma não só mais política e voltada a satisfação de necessidades
e direitos, mas de forma ampliada ao social e ao cultural, é bem expressão das mudanças
sendo vivenciadas em especial na América Latina.
É entre esses novos cenários, como redimensionamento das instituições e dos circuitos
de exercício do público, a reformulação dos padrões de assentamento e de convivência
urbanos, a preocupação com a qualidade de vida, a reelaboração do próprio, que Canclini
indica que:
há a conseqüente redefinição do senso de pertencimento e identidade, organizado
cada vez menos por lealdades locais ou nacionais e mais pela participação em
comunidades transnacionais ou desterritorializadas de consumidores (os jovens em
torno do rock, os telespectadores que acompanham os programas da CNN, da MTV e
outras redes transmitidas por satélite) (Canclini, 1995, p. 28).
Observe-se que a temática do pertencimento, tanto para Martín-Barbero quanto para
Canclini, embora sob arrazoados próximos mas nem sempre semelhantes, têm sua convergência
em três direções, ou seja, identidade, comunidade e cidadania,. Essas três categorias
são recorrentes entre si e também sinalizadoras não só de sua adequação no contexto
histórico da realidade sociocultural de países da América Latina como da pertinência de seu
estudo anteriormente no contexto dos estudos culturais ingleses.
Estas primeiras constatações estão também presentes, por exemplo, nos textos de Hall
quando reconhece que vive-se hoje na sociedade pós-moderna uma crise de identidade.
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Crise porque estaria sendo vivido hoje um duplo deslocamento - “descentração dos
indivíduos tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmos... uma ‘crise de
identidade’ para o indivíduo” (Hall, 1999, p. 09). Isso se dá no contexto da sociedade do
século XX onde estão se “fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero e sexualidade,
etnia, raça e nacionalidade que no passado nos tinham fornecido sólidas localizações
como indivíduos sociais” (Hall, 1999, p. 09). Essa situação de crise, na verdade, é a ausência
de referências para viver a vida, donde a dificuldade de sentidos a serem dados a essa mesma
vida, individual e coletivamente.
Esses deslocamentos na esfera da identidade envolvem também o descentramento do
sujeito, diferente da sua desagregação na tardia sociedade moderna. É o que Hall defende
quando aponta que o discurso e o pensamento durante o século XX foram sendo descentrados
pelo impacto de cinco elementos do pensamento formado no século anterior: o pensamento
marxista, o pensamento freudiano, a lingüistica de Saussure, a questão do poder disciplinador
de Foucault e o feminismo. Assim, sujeito descentrado e identidade em crise seriam os
elementos fundamentais que justificam o sentimento de pertencimento como um traço da
sociedade contemporânea na busca de encontros referenciais num contexto que as eliminou.
Uma dimensão simbólica de pertencimento, ampliando sua significação para além da esfera
organizacional e imediata das relações sociais face a face, portanto, numa visão também
ampliada de comunidade.
Justifica-se assim porque Hall, servindo-se do conceito de comunidade imaginada de
Anderson, visualiza a identidade como processo simbólico de busca de algo comum
imaginado, donde a dimensão de pertencimento. Recorde-se que Anderson ao recompor o
conceito de nação como sendo uma narrativa, portanto uma realidade imaginada, marcada
pela continuidade, tradição e intemporalidade, ao mesmo tempo que alimentada pelos mitos
fundacionais, pela invenção e pela idéia de povo, identifica o que denomina de comunidade
imaginada, no caso, a própria concepção de nação (1989, p. 15). Entende-se então, porque
apoiando-se em Anderson, Hall assegure que “as culturas nacionais são compostas não
apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações”, donde a
afirmação de que “a identidade nacional é uma comunidade imaginada” (Hall, 1999, p. 51).
Mas caberia perguntar como tratar a diferença e seu lugar na reinterpretação que marca
a vida cultural numa “comunidade imaginada”. Hall (1999, p. 58) lembra ainda que “em vez
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de pensar as culturas nacionais como unificadas, deveríamos pensá-las como constituindo um
dispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade. Elas são
atravessadas por profundas diferenças internas, são ‘unificadas’ apenas através do exercício
de diferentes formas de poder cultural. Entretanto, como nas fantasias do ‘eu’ inteiro de que
fala a psicanálise lacaniana - as identidades nacionais continuam a ser representadas como
unificadas” (Hall, 1999, p. 62).
Em Silverstone (1999) a temática do pertencimento se liga à identidade em
comunidades imaginadas, com o concurso do que ele chama de novos media. Ele salienta que
o tema da comunidade ressurge hoje, e reelaborado, em decorrência mesmo da presença e da
expansão dos novos media. E isso é um fator de tensão dado que envolve analisar como as
formas de sociabilidade se sustentam e tornam possível nosso estar junto na tardia moderna
sociedade atual. Comunidade se coloca como mediação entre o material e o simbólico, o
vivido e o imaginado, o local e o global, o público e o particular. Estas mediações são
plausíveis de maior explicação. Primeiro, segundo Silverstone, apoiando-se em Calhoun,
comunidade não é um lugar onde uma parte da sociedade se agrega. Poderia ser aquilo que é
vivido pelo povo de forma densa, múltipla, numa rede autônoma de relações sociais. Mas,
apoiando-se agora em Cohen, entende que comunidade é mais do que a materialidade espaçotempo,
é uma formação simbólica, o produto do investimento de seus membros, um sentido
similar de coisas genericamente colocadas, ou mesmo em seus aspectos específicos. É a sua
vinculação a um corpo comum de símbolos, o cerne do sentimento, algo que reside no pensamento
mesmo das pessoas (1999, p. 09).
Num segundo instante esse caráter mediador se explica porque hoje tem-se a
“comunidade real” (ou comunidade orgânica), a vivida e localizada no espaço-tempo,
inclusiva e exclusiva, sobre a qual somos nostálgicos, e hoje sendo destruída pela
modernidade. Mas tem-se também a comunidade imaginada, composta por práticas ligadas a
uma agenda cultural mediada. E tem-se também a comunidade virtual, uma certa
efervescência de contatos baseados numa rede eletrônica. E nesses caminhos, essas
configurações se reportam à preocupação de pertencer, de ser membro, segundo Silverstone.
Enfim, num terceiro instante, caberia apontar as imbricações políticas, econômicas e de
sociabilidade daí decorrentes. Sob o ponto de vista político estas novas formas de
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participação geradas pelo sentido atualizado de comunidade também envolvem a democracia,
ou, quem sabe, um novo espaço público (1999, p. 13).
Atente-se que em todos os autores citados, embora mais imediatamente se coloquem
frente às questões da identidade, do consumo e da cidadania, há recorrência ao conceito de
pertencimento na mesma proporção em que é apontada a ausência, limitação ou fragmentação
do todo, da ação social (Weber), do comum social, real ou imaginado, que objetivamente
motive o estar junto social. Esse comum ausente é de forma ampliada, tomada na esfera
motivadora do simbólico, como comunidade imaginada. A comunicação, por seus suportes
tecnológicos, exerce exatamente o papel mediador de negociação de demandas que estão
além das necessidades da produção e do consumo, mas que se ancoram na busca de um
comum motivador em nível individual do estar junto coletivo. Retome-se aqui a significação
pois de estudos que advogam a busca do “espírito comum” (Paiva, 1998), ou que sugerem a
mutação na identidade cultural – “identidade líquida” (Gioielli, 2005).
4. Pertencimento e o comum – o espaço público
Na literatura sobre comunicação e cultura, o conceito de sentimento de pertencimento é
também vinculado ao de espaço público. Em Martin-Barbero e Canclini a questão abrange o
reconhecimento da crise do Estado-Nação, as dificuldades contemporâneas de um Estado
fragilizado no contexto de um mercado forte e de uma globalização crescente. Muitas vezes
se envolve com democracia, com lugar aglutinador que cabe aos meios de comunicação com
a necessidade crescente da emancipação pelo exercício da cidadania e da inclusão social e
política.
As questões sobre pertencimento e comunicação na perspectiva do espaço público têm
nos pesquisadores do GRESEC5 contribuições importantes. Beaud (1985) centraliza a análise
do pertencimento na constatação de que na sociedade contemporânea o social vem
encontrando sua autonomização, força e secularização. À medida que aumentam as demandas
sociais e à medida que o Estado se mostra incapaz de atendê-las, não só os atores
institucionais vivem o conflito das demandas propostas e não atendidas, como toda a
estrutura do político passa a depender desse conflito gerado a partir do social salientando-se,
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então, a necessidade da estratégia da negociação nas sociedades democráticas. É a esse
processo entre o social e o político que Beaud denomina de ampliação de fronteiras: o social
permeia o político ao mesmo tempo que o cultural e se expressa como constituinte da esfera
pública ao mesmo tempo que da esfera privada, familiar, indo até as novas formas de
socialização e que se colocam como a própria expressão do conflito, ou seja, das bases da
democracia. As possibilidades e a direção do esforço democrático ficam atreladas a essa
capacidade de encaminhamento das tensões sociais, aumentadas pela atuação crescente do
mercado, num jogo onde o social, o Estado e o mercado se colocam como principais agentes.
Então, diz Beaud, “cada um é chamado a pensar enquanto indivíduo social em relação às
novas formas de pertencimento social e de sua integração” (1985, p. 131).
O que é por ele denominado de objetivação de si é exatamente o mecanismo de
realização do pertencimento enquanto objetivação na esfera pública das representações
criadas sobre si mesmo e a sociedade. É essa objetivação que dá sentido as práticas sociais
tanto quanto é através dos meios de comunicação que são legitimados muitos dos seus
elementos. Pertencimento e objetivação de si se aproximam conceitualmente.
Isto está dentro de um contexto interpretativo de espaço público não só político como
social, um contexto que gera não um espaço público único mas espaços públicos plurais e
parciais (Miège, 1995).
O cenário de sustentação dessas indicações repousa desde logo na compreensão de que
hoje se vive uma sociedade marcada não só pela quantidade como pela diversidade de
democracias emergentes frente a outras já consagradas o que justifica a variedade e
multiplicidade de modelos. À medida que essas democracias não se limitam à formações
sociais geopolíticas, à circunscrição ao nacional-físico, o exercício do poder político e das
formas de sua expressão se ligam cada vez mais à capacidade interativa internacional,
levando ao deslocamento dos eixos por onde se estrutura e se legitima o poder. Não só
governos e Estados perpassam esse caminho como o mercado e a sociedade civil. Daí a
simultaneidade de processos entre o nacional e o internacional, o global e o local.
O espaço público nas sociedades de massa perpassaria esse cenário: tem que dar conta
da esfera do poder político, a gestão mesma do poder na extensão de sociedades igualmente
plurais, mas tem que dar conta das demandas sociais e culturais advindas dessas mesmas
sociedades. Seria então reducionista a análise do espaço público vinculado apenas a públicoAssociação
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político, às atividades contemporâneas do poder, quando as demandas sociais se fazem
intensas.
Por outro lado, o espaço público não só político mas a um só tempo político e social,
tem que dar conta da desigualdade de interesses e de posição de atores, das novas
configurações do contexto de uma sociedade democrática definida pelo signo do conflito. A
expressão histórica do jogo de atores, cenários e circunstâncias se altera mas o pressuposto do
conflito numa sociedade regida pelo imperativo da dominação se mantém.
Tem-se ainda que na crítica ao espaço público conforme proposto por Habermas, a
partir do principio da publicidade (1984), ou mesmo ao objetivo discursivo da competência,
como condição para a interlocução argumentada dos atores, que as formas de estar junto já
não são mais só sob a ótica do espaço físico, nem sob a ótica da presença imediata dos atores
em espaços físicos. O objetivo da publicidade burguesa de “pessoas privadas reunidas em
público”, é hoje necessariamente mediado, diz Floris (1995, p. 124). O espaço público não se
define mais só pela argumentação, pela força social do debate, mas também pela presença
dos condicionantes do mundo simbólico, a mediação da cultura, como também pela
pluralidade de instituições que compõem os diferentes campos da vida social, inclusive o das
comunicações.
As perspectivas de um novo espaço público estão exatamente neste campo de
mediações representado pelo Estado e pela sociedade civil, donde as quatro marcas
mediadoras propostas por Floris (1995, p. 125):
1. Ele é o campo da formação simbólica de uma opinião pública através de todas as
formas de comunicação existentes na sociedade.
2. Ele é um campo de formação democrática de uma vontade política por meio de
sufrágio universal, do parlamento e dos partidos.
3. Ele é uma esfera de mediação entre o Estado e a sociedade civil.
4. O espaço público não é um lugar abstrato do consenso democrático ideal, é um
espaço conflitivo exprimindo relações sociais de desigualdade e de dominação.
Nesse contexto de espaço público é interessante retomar a afirmação de Beaud já citada
sobre a ampliação de fronteira entre o político e o social. As necessidades que levam à
autonomização do social não se resumem aos movimentos sociais e pressões sociais por
equipamentos urbanos ou propriedade de bens, mas se referem também ao trabalho, à saúde,
ao consumo, ao sexo, ao lazer, como domínios através dos quais se manifesta a distinção e a
integração sociais (Pailliart, 1995, p. 11). Essas necessidades se revelam ainda pela sua
entrada na esfera política onde passam a ser elemento central dessa mesma política, ou o que
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Beaud denomina de politização do social: “politizado, o social penetra a política, que se torna
seu objeto mesmo, donde o espaço público” (1985, p. 130).
O conceito de espaço público definido por Floris amplia a importância do
pertencimento através da objetivação de si, ou, como também é denominada, a
intelectualização da vida privada. Beaud entende que a objetivação de si é a própria
demonstração de como o espelho muda de mão: ao invés de estar nas mãos do parlamento e
da imprensa, ou do mundo sistêmico, se desloca para as práticas do social onde se realiza. A
objetivação de si através dos meios de comunicação tanto quanto das sondagens de opinião
pública revelaria exatamente esse deslocamento do social, de como “os indivíduos se
representam a si mesmos como ser social”, como se objetivam, como tornam racional a razão
privada de ser social.
Essa dimensão de pertencimento-objetivação de si-espaço público refletiria ainda os
estágios de democracia conseguidos, os suportes educacionais, o desenvolvimento da
urbanização, as características das ofertas culturais contemporâneas. Beaud entende que esta
objetivação de si não é a volta a individualidade, ao narcisismo, ao consumo de bens, à
deterioração do liame social ou enfraquecimento do social e do privilegiamento da vida
privada. É o indicativo por onde hoje as pessoas se colocam no interior das práticas sociais
onde o mais importante é o que as determina, os diferentes níveis de busca do pertencimento
social, para além dos suportes básicos de socialização representados pela família, pela
educação, etc. Essa busca de pertencimento, através da objetivação de si é que dá sentido às
práticas sociais, traço do espaço público plural da contemporaneiadade. É nas práticas sociais
que a busca do pertencimento se realiza porque é ali que se realizam “as diferentes mediações
através das quais os homens se encontram consigo mesmos” (Beaud, 1985, 116).
Entende-se então porque se diz que “os media não são somente um lugar de
confrontação de argumentos, mas também um lugar de simbolização de uma sociedade. Toda
coletividade tem necessidade de um lugar para construir sua imagem” (Salaün, 1990, p. 27).
Enfim, a busca do comum (Pailliart, 1995), a gestão do social (Miège, 1995 e Salaün,
1990), o conflito das relações de dominação (Floris, 1995) são ângulos próximos por onde a
definição do comum se confunde com a de público e a comunicação se coloca como
mediadora de conflitos.
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5. O pertencimento – entre o público e o comum
A análise crítica aqui apontada indica diferentes eixos de estudo. De um lado, é
fundamental compreender os processos que sustentam hoje a utilização renovada de
conceitos originalmente produzidos em outras matrizes conceituais. O conceito de sentimento
de pertencimento, por exemplo, não se limita a uma motivação interior, subjetiva e isolada,
mas se situa entre o subjetivo e o objetivo permeado pelas motivações derivadas do coletivo,
como que em um fluxo de negociações onde objetivação de si e pertença expressam as
semelhanças e a dinâmica desse mesmo jogo. É o que Williams (1979) aponta ao sinalizar as
fronteiras entre o social e o fixo frente ao instável e o subjetivo, contexto da estrutura de
sentimento, ou ainda, o que em outra perspectiva ele também sinaliza enquanto cultura
comum. Não é distante a consideração anteriormente apresentada por Beaud sobre as
fronteiras do social e do político determinando o estar junto social público.
A relação entre sentimento de pertencimento e o todo da ação social, o comum social, o
mundo do comum, o público, o espaço público oculta sob acepções conceituais e teóricas
diversas a tensão apontada há pouco por Williams e Beaud.
O pertencimento pois se não depende isoladamente desses processos é mediador entre
eles, razão por que sob a denominação antiga de sentimento de pertencimento são expressos
níveis e âmbitos mais amplos de socialização, como indicados anteriormente por Monteiro,
tanto quanto os conflitos que o envolvem (Miège, 1995).
A compreensão mais aprofundada do que sustenta esse comum-público acaba sendo um
vetor por onde o conceito de sentimento de pertencimento hoje se fundamenta, atualiza-se e
se explica.
Chambat (1995, p. 71) adverte que é importante qualificar a natureza do liame que faz
as pessoas realizarem a experiência do estar junto, donde a distinção entre comunidade e
mundo comum. Para ele, enquanto comunidade se apoiava sobre uma identidade preexistente
(língua, etnia) que define a fronteira do espaço público e o que determina o objetivo da
decisão coletiva (manter a identidade comum), o mundo comum é marcado por uma
identidade a ser construída através da participação no espaço público. Seria uma dimensão
conceitual ampliada tanto de comunidade como de comum.
Nessa acepção o comum se distingue pela própria concepção com que comunidade e
espaço público diferenciadamente o assumem. Uma conceituação mais restrita de
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comunidade, delimitada na tradição e na concretude de relações face a face, incorporaria de
forma igualmente restrita a percepção do que lhes é comum, diferente de sua acepção no
âmbito do espaço público marcado pela pluralidade de pessoas e de interesses. É como se a
extensão de atores no tempo e no espaço delimitassem igualmente a amplitude do que é
comum.
Isso envolveria outra conotação entre público e privado, lembrando Arendt (1983, p.
67), quando assinala que “embora o mundo comum seja o terreno de todos ... acaba quando é
visto somente sob um aspecto e só lhe permite uma perspectiva”.
Ângulo igualmente complexo está na vinculação entre o comum e o público a partir da
noção habermasiana de espaço público. De um lado, em sua acepção, o espaço público
contemporâneo está diluído, logo o mundo comum igualmente, já pela impossibilidade
mesma da argumentação e da participação na esfera pública. Esta mesma complexidade da
sociedade contemporânea gerando a impossibilidade do estar junto coletivo único, um mundo
comum único, um espaço público único, passa a ser buscada nos espaços públicos parciais
como que em justaposição conflitiva que possibilita a retomada ampliada da comunidade,
espaço de visibilidade do comum, do pertencimento, na tensão e nos limites entre o global e o
local, entre o público e o comum, o real concreto e o imaginado.
Tassin (1991, p. 23) entende estar aí o antagonismo entre comunidade e público, o
público e o comum, onde há espaços públicos que não são comum e vice-versa, cabendo
apontar como o que é comum se torna público e se constitui em “coisa pública”. Perspectiva
igualmente nova se dá quando se desloca do conteúdo-fim imediato que determina o comum,
para a percepção da forma como se realiza o público, enquanto expressão coletiva de ação, e
não na percepção que distingue o público do privado. O pertencimento não se verificaria
necessariamente só ao assumir a intencionalidade de um objetivo comum, publicamente, mas
na experiência de ações que se tornam públicas porque são comuns, são experiências de
participação. O estar junto pode expressar o pertencer, pelo próprio fato de estar junto, e
como tal ele é o público, o comum. Esta questão se coloca como objeto necessário de mais
aprofundamentos buscando os caminhos por onde o pertencimento se dá em diferentes
formações sociais.
Uma outra problemática que permeia a hipótese aqui em questão, e já apontada em
vários instantes, é a da qualificação dos novos media ante o sentimento de pertencimento ao
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espaço público-comum. Como se realiza seu papel mediador, em específico de como a
recepção mediática é linguagem mediadora dessa relação.
Na verdade, as mutações tecnológicas em constante processo na área da informação e
da comunicação, não alteram o quadro de análise que aqui se coloca: a comunicação
mediatizada exerce seu papel de mediação entre o indivíduo e a sociedade, em espaços
públicos plurais, onde formas distintas de acesso, individual ou coletiva, de alguma forma
interferem na criação e na circulação de sentidos, na configuração de práticas, donde seu
lugar, enquanto comunicação mediatizada, na construção dessas práticas, e por isso mesmo,
práticas públicas com apropriações e canais de acesso diferenciados. São mediações
presentes e em mudança que se colocam em outro eixo de investigações a ser aprofundados.
Evidencia-se, pois, que a hipótese aqui objeto de indagação, apesar de contextualizada
em tradições diversas de pesquisa, e ainda que exija a análise de uma série de questões que
lhe são postas como problemáticas, nem por isso deixa em segundo plano sua pertinência.
Afinal, vale lembrar Vattimo quando propõe que:
a sociedade dos media, em vez de um ideal de emancipação modelado pela
autoconsciência completamente definida, conforme o perfeito conhecimento de quem
sabe como estão as coisas ... abre caminho a um ideal de emancipação que tem antes
na sua base a oscilação, a pluralidade, e por fim o desgaste do próprio princípio da
realidade…Viver neste mundo múltiplo significa fazer experiências de liberdade
como oscilação contínua entre pertença e desenraizamento (1992, p. 13/16).
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